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Entrevista

Entrevista: o que muda quando a família inteira entra em terapia

Conversamos com uma psicóloga sistêmica sobre o que acontece quando ninguém é o “paciente” e todos são parte da solução.

Por Equipe Cuidar Conecta · 12 de agosto de 2026 · 8 min de leitura

Na terapia familiar, o sofrimento de uma pessoa não é tratado como propriedade dela. A pergunta que organiza o trabalho é outra: como esse sintoma funciona dentro do sistema familiar? Quem ele protege, o que ele evita, o que ele mantém em equilíbrio?

Cuidar Conecta: o que muda quando ninguém é “o problema”?

Muda tudo, principalmente a defesa. Quando uma família entra junta, ninguém precisa gastar energia provando que está certo. Em vez de discutir sobre quem é o culpado, passamos a olhar para os padrões que se repetem — por exemplo, o ciclo em que alguém explode, o outro se cala, o silêncio cresce e a explosão volta. Padrão identificado é padrão que pode ser interrompido.

E se só uma pessoa quiser fazer terapia?

A terapia individual continua sendo uma escolha legítima e muito eficaz. Muitas vezes é por ela que a mudança começa: uma pessoa muda, e o sistema ao redor precisa se reorganizar. Nada impede que, mais adiante, a família seja convidada — desde que isso seja combinado com clareza e sem quebra de sigilo.

O que a família costuma descobrir nas primeiras sessões?

Que boa parte das brigas não é sobre o assunto da briga. Que há afeto embaixo do conflito, mas sem espaço para circular. E que existem combinados implícitos que ninguém escolheu conscientemente — apenas herdou. Nomear isso já alivia.

“Cuidar é um ato de conexão.”

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